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China, a gente vê por aqui! 26 Abril 2008


Trocadilho a parte, vamos lá. Antigamente, a uns 4 anos atrás, só se ouvia falar de Coreanos que jogassem bem, em um nível competitivo e/ou dominassem o cenário RTS. Pouco a pouco essa imagem foi sendo transformada para uma nova realidade, a que temos hoje em dia. Os Chineses estão aparecendo cada vez mais, seja nos bastidores, seja estrelando os eventos.

A WC3L, a liga online de Warcraft 3 mais tradicional, sempre realizou suas finais offline ( 12 temporadas) na Europa, e a 13º edição dos playoffs ocorrerá na cidade de Chengdu, China. Acaso? Não. Isso é só o começo. A final mundial da WCG 2009 será organizada na mesma cidade

Quando você é bicampeão mundial de alguma coisa significa que é bom no que faz. WE.SKY, Chinês de 22 anos, fez a proeza de ser campeão da WCG em 2005 e 2006, garantindo o vice campeonato em 2007. Sua categoria é dominada por Coreanos , almejada por Europeus e ele vem se destacando constantemente, não só ele mas como aqui a abordagem é leve não vou citar nomes que não tenham tanta expressão assim.

Há mais de um mês atrás, a GGL divulgou que organizará uma competição parelela nas olímpiadas de Beijing, no mesmo lugar onde vão acontecer as partidas de futebol, Shanghai. Isso é coisa séria… o comite organizador licensiou a marca oficial das olímpiadas para a GGL. Isso não quer dizer que teremos uma competição valendo para o quadro de medalhas, nem o mais otimista de todos diria isso. Se nem o futsal é olímpico não tem porque o eSport ser.

A China tem um mercado de jogos em expansão, não é de se espantar esse comportamento dos organizadores, lá vivem 1,3 bilhão de pessoas… Quem não queria expor sua marca para esses milhões de potenciais compradores?

As tochas olímpicas 19 Abril 2008


Recentemente a atenção dada a tocha olímpica cresceu bastante, devido aos manifestos pró-Tibet, nesse climão, notícias dizendo que alguns ciberatletas carregariam a tocha soaram como verdadeiras “bombas”, mas claro que isso só repercutiu em sites específicos. Um dos que está incumbido dessa tarefa é ninguém mais ninguém menos que Jang “MYM]Moon” JaeHo, o jogador que teve uma proposta de salário de US$25.000 por mês e ganhou aproximadamente £120.000 com premiações no ano passado, e como se não bastasse foi apelidado de “5th race” por uma equipe de narradores. Além de Jang outros vários atletas foram presenteados pela Lenovo, patrocinadora das Olímpiadas de Beijing, com essa oportunidade única.

O evento que mais aproxima o espírito olímpico do esporte eletônico é a WCG, sendo assim, também teremos a tocha da WCG. Um evento mais simbólico do que qualquer outra coisa, mas já é alguma coisa, oras! Ao todo serão 12 paradas: Paris, Kiev, Moscou, Roma, Colônia, Seul, Cingapura, Auckland, Seattle, Cidade do México, Bogotá e São Paulo. As datas, a seqüência correta das paradas, que inclusive já começou, um vídeo e os representantes de cada país podem ser encontradas no site oficial. No Brasil quem tomará conta da criança, pelo menos segundo o site da WCG, é o Rodrigo “playArt^Speed” Nunes Silva, Campeão Panamericano em 2006 e Mundial em 2007, competindo na série Need For Speed.

Estamos aí, chamando cada vez mais atenção, e é isso que eu quero mesmo! Quem sabe um dia não tenhamos uma liga, nem que seja amadora, sendo transmitida em algum canal de TV, ou até um espaço fixo, mesmo que seja pequeno, dentro de alguma revista semanal de grande circulação. Achar quem faça não é tão fácil assim, mas conteúdo sempre vai ter, o único problema é um certo preconceito com os ciberatletas. Eles tem vida, saem de casa, a diferença é só a profissão/hobby, ele é progamer, e você não =D .

Não leia isso como se fosse só uma jogada de marketing das entidades organizadoras, é só um caminho que a Coreia do Sul, por exemplo, já tem como normal. Lá as ligas televisivas fazem parte do horário nobre, e existem até alguns canais como a MBC Sport que tem transmissões ao vivo, narradores e comentaristas especializados no assunto. A ESPN americana já começou a inserção do TOP 10 da MLG no Sportcenter. Como as “novidades” só chegam aqui depois de alguns anos, quem sabe em 2010 algo do gênero já não esteja acontecendo. Torço para essa data, ou será que vamos ter que esperar até 202x?

GamersLife - O reality show 12 Abril 2008


Em uma época em que as novidades são cada vez mais escassas, os novos conceitos nos fazem ficar boquiabertos. Essa foi minha reação quando vi o site do GamersLife. Estou falando de um programa produzido no Brasil, exclusivo para internet, que vai mostrar a vida dos jogadores no seu dia a dia, mas sem deixar de lado os confrontos. Só para constar, “Beyond The Game” é o slogan oficial da WCG.

A produtora do programa é a Hive, que já fez a Liga Hive e a WCG Brasil 2006. Com certeza eles têm o knowhow para tornar esse programa um sucesso, difundindo o eSport para um público cada vez mais eclético. Talvez esse programa inicie uma cadeia de iniciativas parecidas. Isso só o tempo dirá.

Lendo esse post você já pode ter pensado o seguinte: E o que eu ganho com tudo isso? Bem… você pode ser um dos participantes! Registre o seu email no site do programa e as informações serão enviadas em breve. Os testes serão realizados em locais ainda não anunciados, mas em breve, com certeza isso será feito… Aliás, podia ter uma etapa de seleção em Brasília. Os 8 sortudos que sobreviverem até o final da seleção vão participar do programa. E o vencedor, segundo o site, leva: “Uma mega estação de jogo” além do reconhecimento da comunidade.

Esse tipo de iniciativa é ótima para mostrar que os jovens inseridos nessa cultura também têm algo a oferecer para a sociedade. Um esporte não tradicional terá um reality show, aí eu te pergunto: Você já viu um programa desse tipo só com estrelas do futebol mundial, por exemplo? Lógico que os públicos são diferentes, mas o que nos impede de tentar conquistar mais torcedores? Essa é uma chance de ouro para abrir os olhos dos grandes veículos de mídia.

eSport e a Web 2.0 05 Abril 2008


Essa onda de conteúdo gerado pelo usuário, chegou aos sites internacionais de eSport. Esses não implementaram estas novidades agora, mas hoje que fui me dar ao luxo de prestar atenção em como isto é uma estratégia interessante de crescimento para os portais.

Se esta estratégia for baseada em um serviço de hospedagem de vídeos, o SK e o Gotfrag Game Room suprem bem a comunidade nesse quesito. São serviços que foram lançados praticamente ao mesmo tempo, tem o mesmo público alvo e proporcionam ao usuário a possibilidade de ter seu vídeo estampado na página principal do site, que no caso do SK, extrapola os 800.000 usuários cadastrados. Já o Gotfrag faz competições períodicas. Nessas os redatores escolhem os cinco melhores vídeos enviados pelos usuários toda semana, além disso até o terceiro colocado tem premiação. Com os vídeos devidamente postados, os embeds, links em fóruns, blogs, e usuários, cuidam de todo o resto, gerando cada vez mais tráfego e visibilidade. Claro que os patrocinadores adoram ter a sua marca cada vez mais exposta.


A seção de vídeos do SK Gaming tem mais de 800.000 usuários cadastrados.

Um exemplo bem exótico de conteúdo participativo pode ser encontrado no site da organização multi-gaming MYM (MeetYourMakers). Alguém conhecido como “Mr-X” se intitula “O rei das fofocas e rumores”. Ele troca informações, verdadeiras ou não, por MYM Points, espécie de moeda virtual utilizada no site. O interessante disso é a interação que ele tem com a comunidade, que mais um vez está gerando conteúdo. Ela é sútil mas não foge do conceito principal.

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Essa receita não dá certo. CPL fecha as portas 22 Março 2008


Já citada por min em outras edições da coluna, de um ano para cá a liga estava indo para o limbo de pouquinho em pouquinho e finalmente anunciou o fim de suas atividades . Digo isso com muito pesar pois desde sempre acompanhava os eventos e de vez em quando me perguntava , como será isso tudo daqui a 10 anos?

Ao invés de Counter Strike 1.6 e jogos da série Quake, insistiram com o WiC e F.E.A.R para a temporada 2007/2008, os jogos podem ser bons, podem ter ganho 50 prêmios “Jogo do Ano” mas não deram certo com a comunidade competitiva em geral. Poucos times profissionais criaram equipes de WiC/F.E.A.R e agora que a CPL acabou, provavelmente as equipes serão dissolvidas , a não ser que uma grande liga envolva essa pequena comunidade em seus planos.

Você sabe quais foram os campeões da CPL UK? Provavelmente não. Eu também não sabia então fui pesquisar a respeito e encontrei os resultados, quantias , etc… Sempre me lembro dos grandes eventos , grandes campeões… Aquela final da WCG Brasil 2004 que aconteceu em Brasília, entre Mibr e GC para mim é eterna.

Eu me considero um “Hardcore Gamer” , e acho que esse tipo de publicidade nunca afetaria jogadores com esse perfil, talvez você tenha a mesma opinião. As coisas não funcionam se você passar por cima dos anseios da comunidade por dinheiro. Não digo que novidades não são bem vindas, elas sempre serão bem vindas , mas só se a audiência aprovar, o que não aconteceu!

mouse oficial produzido em parceria com a RazerPessoas esperavam que a CPL desmentisse os boatos sobre os jogos que escolhera, mas não foi isso que aconteceu, e infelizmente a liga começou a perder seu brilho, em troca do patrocínio de uma publisher.

A algum tempo atrás a liga divulgou no seu site oficial que vendeu uma grande quantia de mouses que produziu parceria em parceria com a Razer, tais equipamentos continham o logotigo da liga Isso é uma prova de que a marca é forte.

O expoente da queda de credibilidade da CPL foi quando o G7 , uma especie de clube dos 13, liderou um boicote ao evento por falta de pagamento das premiações. Alguém teria que tomar essa atitude uma hora já que os jogadores sozinhos não teriam voz. Outro ponto triste dessa história foi a perca do patrocínio da Intel, empresa que sempre tinha patrocinado a liga.

Esse é um exemplo de como não fazer as coisas, o que o público diz sempre é importante. Sair arrumando parcerias que só visaram retorno financeiro não adiantou nada porque no fim das contas a popularidade foi lá no chão. A CPL nos últimos anos teve essa visão ” de mercado ” , e acabou morrendo aos poucos. Infelizmente a CAL ( Cyber Athlete Amateur League ) , que só tinha competiços online também foi afetada por toda essa crise e não existe mais.

Brasil, celeiro de campeões - Entrevista: Bruno Ramos 15 Março 2008


Apesar de todas as adversidades que enfrentamos diariamente com as conexões de internet que são péssimas e extremamente não confiáveis, temos várias histórias de jogadores brasileiros que muitas vezes não tem todo o apoio necessário para prosseguir com a carreira, e mesmo assim fazem bonito em competições internacionais, alguns até já se filiaram a clubes estrangeiros para obter algum suporte a mais.

O Brasil já conta com clubes profissionais no eSport, o mibr, maior time de Counter-Strike do Brasil é um dos exemplos mais clássicos do profissionalismo no Brasil. O time já chegou a contratar uma empresa de consultoria em eSport da Suécia que ajudou a profissionalizar e mudar a mentalidade da equipe em agosto de 2004. Claro que isso só é possível com o apoio incondicional dos patrocinadores que podem ser encontrados no site oficial da equipe.

A profissionalização do PlayArt, que tem um dos melhores times de Need For Speed do mundo, esbarra na falta de apoio, não pela falta de resultados, já que Speed, Gear e Godsmack já garantiram vários podiums nacionais e 2 títulos mundiais ao Brasil, competindo em várias versões diferentes do game ao longo dos anos. Infelizmente esses garotos não possuem a mesma estrutura de ponta que muitos outros times do mundo tem, mas a esperança de conseguir que uma grande empresa divulgue sua marca em conjunto com a equipe continua viva e isso faz com que eles continuem treinando diariamente.

playart1.jpg

Para saber como é o dia-a-dia de um clube “semi-profissional”, conversei com o CEO do PlayArt, Bruno Ramos, também conhecido pela comunidade como “Peace”.

O time conta com um centro de treinamento próprio em Belo Horizonte e no momento tem contrato com 13 jogadores espalhados por todo Brasil. Quando perguntado sobre a estrutura da equipe Bruno diz o seguinte: “Sempre é bom estar melhorando, conseguindo novos patrocinadores.” E comenta sobre os pontos fracos do time: “Ir disputar eventos fora de Minas tem um custo elevado, e até mesmo dentro do estado não fica muito barato”, resposta dada em função do clube ter 2 equipes de Counter-Strike 1.6. Toda empresa precisa de crescimento, novas fontes de receita e é isso que o PlayArt procura em 2008 “Temos planos de crescimento, apesar de estarem indo um pouco devagar, espero que o novo site esteja pronto no mais tardar até a primeira semana de março, novos patrocinadores e talvez a volta da divisao de Fifa”.

Terminando o papo, Bruno diz o que mantém ele tão envolvido com eSport: “Para mim é uma diversão, apesar de que nos últimos tempos estar mais voltado ao lado profissional, sendo manager do time e também organizando campeonatos. É um investimento a médio prazo”.

Não entendo como uma equipe que tem seu coração batendo por causa de jogos, e constantemente faz propaganda para as publishers até mesmo sem querer, não consegue ter o que precisa para se profissionalizar. Não pensem vocês que isso é coisa de criança, nós estamos em um país relativamente atrasado quando o assunto é tecnologia e mesmo assim temos uma base incrível de pessoas interessadas em “Tecnologia&Jogos”, base essa que cada dia cresce mais, fato comprovado pelo lançamento oficial do Xbox 360 no país em, dezembro de 2006.

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