Ele foi um dos principais destaques no Pan do ano passado e já ganhou várias disputas de lá até hoje. Agora, na sua segunda Olimpíada ele quer finalmente conseguir conseguir sua primeira medalha nos jogos, mas para isso ele terá que enfrentar ninguém menos que Michael Phelps.
Thiago fala na entrevista abaixo sobre o adversário americano e toda sua preparação.
Infonet: Você vem cada vez mais conquistando um número estrondoso de medalhas em campeonatos. Espera repetir esse feito agora nas Olimpíadas? Como está sua expectativa?
Thiago: Meu maior sonho é ganhar uma medalha olímpica e estou treinando muito para isso. Se isso acontecer, vou me sentir o cara mais realizado do mundo. Minha preparação para Pequim começou após os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no ano passado. Foi um período intenso de treinamento e competições, incluindo etapas da Copa do Mundo (Estocolmo, Berlim e Belo Horizonte), Troféu Maria Lenk e o circuito Mare Nostrum de Natação, etapas de Barcelona e Canet. Também fiz três semanas de treinamento na de Sierra Nevada, na Espanha. Eu me preparei bem e estou confiante. Tudo o que eu tinha para treinar, eu já treinei. Agora, é relaxar e descansar. Já entrei na fase de polimento, ou seja, no aprimoramento final do treino, diminuindo bastante o volume dentro da piscina, para me sentir mais leve e rápido. Estou indo para China bastante otimista, sinto-me mais maduro e seguro, porque já participei de uma Olimpíada (Atenas/2004) e outras tantas competições importantes como Pan-Americano, Mundiais e Copas do Mundo. Isso me dá mais tranquilidade.
Infonet: Qual será sua maior motivação para ir à Pequim?
Thiago: É saber que treinei tudo o que eu podia, que fiz tudo aquilo que eu podia. Estou bem e confiante em uma boa campanha em Pequim. É saber também que estou indo para a minha segunda Olimpíada mais seguro e experiente. Não tem mais aquela ansiedade de 2004 (Atenas). Estou bem tranquilo.
Infonet: E onde acha que encontrará as maiores dificuldades?
Thiago: A briga por medalha não será fácil. Os oito nadadores que chegarem à final terão chances de brigar por medalhas. O importante é cair na água e fazer a minha prova, sem me preocupar com os adversários.

Infonet: A primeira prova de natação nas Olimpíadas será os 400m medley, onde você já enfrentará logo de cara o americano Michael Phelps. Enfrentar um dos maiores recordistas mundiais em uma prova não tão fácil em uma Olimpíada te assusta?
Thiago: Não me assusto. Já nos enfrentamos algumas vezes. Todo mundo fala do Phelps, mas tem outros grandes nadadores que disputarão essa medalha tanto nos 400m medley quanto nos 200m medley (minha especialidade), que são o norte-americano Ryan Lochte (vice-campeão olímpico em Atenas/2004, nos 200m medley) e o húngaro Laszlo Cshe, que me ‘roubou’ o recorde mundial em piscina curta dos 200m medley. O Ryan, inclusive, deu trabalho ao Phelps na seletiva norte-americana. Não vai ser fácil! Mas estou preparado para fazer a minha melhor prova.
Infonet: Em qual categoria acha que terá mais facilidade? Por que?
Thiago: Nos 200m medley, porque é a minha prova. Estou me dedicando nos treinos para essa prova. No revezamento 4×200m livre também temos chance de pódio.
Infonet: No ano passado você foi um dos grandes destaques no Pan do Rio, faturando nada menos que sete medalhas. Claro que eram de certa maneira planejadas, mas foi uma surpresa conseguir esse número?
Thiago: Costumo dizer que Pan é Pan; Olimpíada é Olimpíada. Eu consegui seis índices olímpicos para provas individuais, mas resolvi priorizar só essas três (200m medley, 400m medley e o revezamento 4×200m livre). Primeiro, evitei nadar muitas provas por causa do desgaste e, segundo, porque as provas coincidiam no calendário e poderia prejudicar minhas principais provas de medley.
Infonet: Como você vê o crescimento de sua carreira que vem acontecendo ao longo dos últimos anos?
Thiago: Tudo aconteceu muito rápido na minha carreira. Cheguei ao Minas em 2002 e dois anos depois já estava na minha primeira Olimpíada (Atenas/2004) aos 18 anos. Fiquei muito ansioso, nervoso, e isso acabou me atrapalhando. Imagina só, cheguei na Grécia sendo apontado como favorito à medalha pelas principais revistas e jornais do mundo. Hoje, estou bem mais tranquilo, seguro, porque adquiri experiência ao longo dos anos e competições importantes como Jogos Pan-Americanos, Copas do Mundo, Mundiais…
É uma pena não poder levar a torcida brasileira na bagagem. Agradeço a todos que torceram e continuam torcendo por mim. Valeu, galera!
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